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Convívio anual de angariação de fundos em Cambridge Versão para impressão Enviar por E-mail

Convívio anual de angariação de fundos e festa de São Valentim em CambridgeTeve lugar no passado mês de fevereiro o convívio anual de angariação de fundos da escola portuguesa Cambridge/Somerville. Mais de três centenas de pessoas marcaram presença num jantar em que a atração principal era o fado. Exatamente aquele que andou embarcado nas caravelas do Gama, epopeia  passada à posterioridade por Camões, que lá no assento eterno onde subiu se memórias desta vida se consentem deve estar orgulhoso dos sacrifícios, cá na terra do Tio Sam, se fazem para salvar a língua que ele notabilizou e que os senhores da corte tão mal têm apoiado por estas paragens.

 

Coitado do Luís, foi deportado, mas nunca esqueceu a sua terra a sua língua,nós se bem que em situação diferente viemos de livre vontade e também sem esquecer a nossa terra e a nossa língua, fazemos autênticos milagres, como aquele que se opera ali na escola portuguesa Cambridge/Somerville, como o do passado sábado onde se angariaram fundos para manter a escola aberta. Já sabemos que o tipo de aluno que hoje frequenta a escola é nascido nos EUA e tem o português como segunda língua. Mas para quê perder energias, a bater constantemente nesta tecla quando se deve encarar a situação tal como se está a fazer e seguir em frente.

 

O ensino integrado é uma solução, mas a falta de apoio às escolas portuguesas é o caminho para a perda da nossa identidade. Nunca é de mais realçar o exemplo do ensino do português junto do Rhode Island College, em que os melhores alunos eram os provenientes do professor Amadeu Casanova Fernandes, da escola do Clube Juventude Lusitana. 


E este exemplo da escola Cambridge/Somerville é um dos muitos que temos vindo a realçar, temos sido os únicos, apresentando a realidade com os diretos intervenientes, mas deixar que sejam eles a falar de sua justiça. Maria Carvalho, na presidência da escola, à frente de uma ativa comissão, tendo por perto Rui Domingos, CEO do Cambridge Portuguese Credit Union (CPCU), tem conseguido dinamizar aquele estabelecimento de ensino, que, quer se queira ou não, é um dos muitos que ainda conseguem sobreviver, contra as faltas de apoio que já nem vale a pena mencionar.

 

Foi instituído o Lília Fagundes Scholarship Fund junto da escola Cambridge/Somerville. “Nos 83 anos do Cambridge Portuguese Credit Union (CPCU) é com orgulho e satisfação que posso anunciar que esta instituição bancária continua a apoiar a escola portuguesa”, sublinhou Rui Domingos. Foi em 1928 que um grupo de 27 corajosos portugueses arriscaram a abertura do Cambridge Portuguese Credit Union, uma instituição onde pudessem efetuar transações financeiras na sua própria língua.

 

O lema “Poupando juntos, para poder emprestar uns aos outros”, seria um princípio que passados todos estes anos continua em efeito e com resultados positivos. “Bem se pode aplicar este princípio à escola portuguesa. Trabalhando juntos vamos manter viva a língua portuguesa, tal como se pode comprovar hoje aqui. Embora o aluno seja, em termos de língua, diferente dos primeiros, o sentido da portugalidade, como origem deve estar sempre bem patente.

 

Se bem que alguns dos nossos alunos não tenham a necessidade de falar português no seu dia a dia da vida profissional, mas nunca se sabe, quando esta não é necessária, é uma forma de os manter ligado à nossa cultura, ao mesmo tempo que ganham pelo facto de saber falar duas línguas, o que o superioriza ao que só fala uma”, salientou ainda Rui Domingos.Com a preservação da língua portuguesa por fundo e Valentine’s Day no coração, não deixou de ser impressionante o apoio à escola portuguesa. “Tenho de expressar a minha satisfação pelo apoio da comunidade a esta iniciativa.

 

O fado, o convívio entre amigos, pela simples razão de sair de casa, depois de um inverno gelado, o importante é que estamos hoje aqui todos juntos para apoiar a preservação da nossa língua, da nossa cultura, junto dos nossos jovens”, acrescentou o CEO do Cambridge Portuguese Credit Union, acrescentando ainda: “Como a maioria dos presentes ainda se recorda, a comunidade lusa desta região foi abalada com  a morte por um assaltante de Lília Fagundes, do Azores Market, estabelecimento localizado na Prospect Street.

 

A comunidade uniu-se e angariou fundos para uma recompensa a quem desse informação que levasse à prisão do assassino. Passados 16 anos o caso continua por esclarecer e o autor do crime nunca foi preso. Walter Sousa, que em 1995 teve a iniciativa de angariar os fundos em conjunto com Michael Pacheco e com o consentimento de Vasco Fagundes, decidiram doar 5000 mil dólares, metade dos fundos angariados à escola em memória de Lília Fagundes. Sendo assim estabeleceu-se o Lilia Fagundes Scholarship Fund, para apoio aos alunos, cujos pais não podem pagar para os filhos frequentarem a escola”, concluiu Rui Domingos. Nas reportagens que temos efetuado às escolas portuguesas temos visto grandes demonstrações de apoio.

 

Mas este subsidio é além do reconhecimento do trabalho efetuado em prol da língua portuguesa uma ajuda à sua preservação e divulgação. Mais uma lição de gente a quem a falta de formação académica sobra no entusiasmo e orgulho de saber ser português em terras americanas, e que até reconhece, o interesse em se manter a língua, como forma de  identidade de um povo que deu novos mundos ao mundo.

 

“A vossa presença é um incentivo à continuidade desta missão que se traduz na preservação e projeção da nossa língua” — Maria Carvalho, presidente da comissão de pais Maria Carvalho, presidente da comissão de pais da escola portuguesa Cambridge/Somerville, à frente de uma ativa comissão constituída por Anne Silva Bromander, Irene Carroll, Joge Correia, Paulo Martins, Helena Movsesian, Paula Pedra, Melinda Câmara, Helena Domingos, Maria Pereira, Olga Silva, conheceu o brilho de uma grande iniciativa tendente a contribuir para manter viva a chama lusa ali pelas vizinhanças de Boston.

 

“Suponho que foi oportuno o facto de ser ter escolhido a data deste jantar de angariação de fundos em fim de semana de Valentine’s Day dado dar a possibilidade de se poder estar com quem mais se gosta e ao mesmo tempo contribuir para o ensino da língua portuguesa junto de uma nova geração, que todos fazemos os possiveis para que não se afaste das suas raízes”. Contrastando com estes esforços surgem teorias de afastamento das novas gerações, a obrigar a mais um exercício de captação dos novos jovens.

 

“Uma grande parte do aluno que hoje frequenta a escola portuguesa já vem de famílias onde não se fala português. Sendo assim, o ensino do português surge como segunda língua. Temos um outro grupo em que a língua portuguesa continua a ser falada em casa.”Estas situações criam um enorme desafio aos professores que se vêem perante uma situação diferente do habitual, mas que até têm dado muito boa conta do recado.“A escola Cambridge/Somerville foi criada para manter viva a língua, cultura e tradições portuguesas.

 

Temos de deixar aqui um agradecimento a todos aqueles que antes de nós trabalharam afincadamente para que esta escola mantivesse as portas abertas. A nossa responsabilidade é dar prosseguimento a esse trabalho. A vossa presença é um incentivo à continuidade desta missão que se traduz na preservação e projeção da nossa língua”, disse Maria do Carvalho. São estes os valores que devem estar patentes em cada sala de aula, em cada aluno, em cada professor.

 

Criou-se um Website. Contratou-se António Santos como professor de história. A festa de angariação de fundos foi muito mais do que um convívio. Foi encontro de professores, alunos, comissão escolar e comunidade.

 

Fonte: Portuguese Times

 
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